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Quando Deus chamar...

(Imagem da internet) 


Na minha terra de origem dizem que quando uma pessoa morre e tem o coração puro, o céu chora. Hoje o dia amanheceu chovendo. A campainha tocou. Ao atender fui chamado para rezar as exéquias de um senhor falecido ontem na casa de repouso. Quinta-feira estive com ele na Santa Missa realizada lá. Era uma pessoa serena.

No momento das exéquias, deixei a palavra aberta e quanta coisa bela escutei.

- Ele gostava de bolo - Disse uma pessoa e acrescentou:

- Ele pedia que eu levasse bolo, mas um bolo grande para partilhar com todos de lá.

A sobrinha disse:

- Ele ganhou uma pequena lata de doce de leite. Aí dividiu com todos de lá, até mesmo os funcionários tiveram que comer. Aquela lata de doce se tornou muito maior do que realmente era.

            Ali estava ele sendo velado com um pequeno número de pessoas naquele dia chuvoso e silencioso. Não havia construído um grande hospital, não era dono de uma rede de supermercados, nem tinha juntado um imenso capital, não escreveu um livro, não havia casado e nem teve filhos. Entretanto, sua existência discreta marcou as pessoas que com ele convivia. Uma das funcionárias da casa de repouso chorava no cantinho da capela velório.

Aprendi a lição: preciso tocar o coração das pessoas que convivo, mas não com tremendo esforço, mas na simplicidade de um coração que está preparado para quando Deus chamar. Conceda-me, Ó Senhor, tal graça.

Emanuel Tadeu

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