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Dona Celina

 


Com um tercinho nas mãos

Sempre de vestido

Cabelos brancos e curtos

Mãos enrugadas e olhar puro.

 

Mulher de poucas palavras

Talvez por que o tempo já dissera muito

Ou simplesmente era seu jeito de ser

Silenciava os lábios para falar o coração.

 

Ali, pequena e silenciosa

Quanta coisa havia dentro de seu coração?

Quanta experiência vivida em uma única vida?

Havia mais ali dentro do que pudéssemos supor.

 

Passara pelas diversas dificuldades da vida

Pobreza, alcoolismo do marido, êxodo rural, morte de filhos...

Enfrentara os duros conflitos de nossa humana condição

Mas nunca se percebeu um olhar de desânimo.

 

Juntava os filhos ao seu redor

E na oração resolvia os problemas

O terço era sua melhor estratégia

Rezava, rezava... ainda que tudo parecesse desabar.

 

Quem a visse ali na sua velhice

Poderia não compreender

Como tão pequena fisicamente

Fosse tão grande de espírito.

 

Mulher, mãe, vó e bisavó...

Riso e choro, oração e preocupação,

Poderia ter vivido melhor?

Não sei se sim,

Mas o que viveu

O fez com maestria.

 

Tinha suas peculiaridades

Morria de medo de chuva

Quando o céu escurecia e trovejava

Em meio a preocupação

Entoava “o bendito...”

 

Agora descansa em verdadeira paz

Junto ao Deus que tanto buscou

Encontrou o Céu

Já não precisa rezar o terço

Pois está ao lado da Senhora dele.


De seu bisneto, Emanuel Tadeu


#DonaCelina #amor #fé #vó #biografia #poesiar #utopiadoviver



Comentários

  1. Linda homenagem
    Parabens pra voce grande poeta

    ResponderExcluir
  2. Linda homenagen
    Voce é um grande peta
    Parabens

    ResponderExcluir
  3. Perfeito! Amor de bisneto com a força do Espírito Santo a iluminar. Deus é dona Celina abençoe você.

    ResponderExcluir
  4. Muito linda homenagem!!!! Parabéns. Que neto carinhoso, que Dona Celina tinha. Ela deve está muito feliz.

    ResponderExcluir

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