Pular para o conteúdo principal

Pau que nasce torto, morre torto?

 (Imagem da internet)

   Depois de refletir um pouco, começou a incomodar-me demasiadamente o provérbio popular: “pau que nasce torto, morre torto” ou como é cantado: “pau que nasce torto, nunca se endireita”. De vez em quando, escuto uma pessoa, para se justificar ou se conformando com o erro de alguém, proferir tal dito popular. Mas será que realmente pau que nasce torto, morre torto?

            Primeiramente, creio que uma planta não nasce torta, mas isso ocorre durante o seu desenvolvimento, basta olhar a flexibilidade que ela possui quando vai crescendo. Do mesmo modo, o ser humano, com exceções nos casos de uma patologia, não nasce “torto” em sua personalidade, mas vai se formando ao longo do seu desenvolvimento. Se uma pessoa desenvolveu um comportamento considerado negativo, isso não quer dizer que ela nasceu assim, vai viver desse modo e morrer assim, ponto final, fim de conversa. O ser humano está em constante mudança. Do bebê ao ancião quanta coisa muda e isso é claramente perceptível no aspecto físico, imagina no psicológico.

Não consigo acreditar que uma pessoa não possa mudar para melhor ou, até mesmo, para pior. Para mim, o ser humano não nasce “torto” e mesmo que foi se tornando assim, isso não implica que morrerá desse modo. O ditado em questão traz consigo uma ideia paralisante e errônea. Não devemos ficar justificando nossos erros atuais colocando a culpa no passado e se declarando vítima de nossa história, livrando-nos do peso das nossas más escolhas de cada dia. O passado com certeza tem grande influência, mas não é a resposta final. O que queremos ser, o nosso futuro, também toca o hoje, as nossas decisões. Portanto, pau não nasce torto. Se porventura ficou torto, dê um jeito de endireitá-lo, mesmo que isso demore e lhe exija esforço, ou você será um eterno cativo do seu próprio passado, do seu argumento e desse provérbio paralisante.

 Emanuel Tadeu

#pauqnascetorto #viver #refletir #unstópicos #poesiar #existencial #utopiadoviver

 



Comentários

  1. 👏👏👏👏👏👏 Você sempre nos levando a refletir e nos ensinando muito.

    ResponderExcluir
  2. Parabéns pela grandiosidade do conteúdo e reflexão!! Podemos ser tudo o que nos esforçarmos para ser!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Ressussignificação

  (Imagem da internet) Maria Madalena viu o sepulcro vazio. Concluiu: - roubaram o corpo de Jesus. O discípulo amado viu o sepulcro vazio. Concluiu: - Ele ressuscitou! A mesma situação. Diferentes perspectivas. Dai-me, Senhor, a graça da ressussignificação ! #ressussignificação #ressurreição #ressignificação #neologismo #viver #utopiadoviver

Ralo Invertido

  (Imagens: Arquivo do autor) Ali estava aquele ralo invertido na pia fazendo bem seu papel de ser ralo, porém, invertido. Originalmente foi colocado na posição correta (Ou convencionada assim), mas alguém - diga-se de passagem um criativo brasileiro - o inverteu para escoar mais rápido e continuar cumprindo sua função naquela pia da copa do trabalho. Se na posição correta não cumpriu seu papel, agora o estava fazendo bem melhor.  Na vida é assim também, às vezes algo foi feito para uma dada utilidade, mas por acaso, ideia de alguém ou um erro, fica bem melhor de outra forma. Assim foi, segundo a história, um erro de cálculo que fez Colombo descobrir a América… Um esquecimento que fez um bacteriologista descobrir a Penicilina… A descoberta do marca-passo… Um xarope para dor de cabeça que virou a Coca-Cola… Então, as experiências do erro também são importantes como a dos acertos e nada é necessariamente em vão, descartável! Saibamos admitir e enxergar isso na nossa vida. Se não...

Escutatória

(Imagem: do autor)  Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de ideias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de ideias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o ...