Com um tercinho nas mãos Sempre de vestido Cabelos brancos e curtos Mãos enrugadas e olhar puro. Mulher de poucas palavras Talvez por que o tempo já dissera muito Ou simplesmente era seu jeito de ser Silenciava os lábios para falar o coração. Ali, pequena e silenciosa Quanta coisa havia dentro de seu coração? Quanta experiência vivida em uma única vida? Havia mais ali dentro do que pudéssemos supor. Passara pelas diversas dificuldades da vida Pobreza, alcoolismo do marido, êxodo rural, morte de filhos... Enfrentara os duros conflitos de nossa humana condição Mas nunca se percebeu um olhar de desânimo. Juntava os filhos ao seu redor E na oração resolvia os problemas O terço era sua melhor estratégia Rezava, rezava... ainda que tudo parecesse desabar. Quem a visse ali na sua velhice Poderia não compreender Como tão pequena fisicamente Fosse tão grande de espírito. Mulher, mãe, vó e...