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Aquele que tudo vê

(Imagem da internet)                            Outro dia, ao conversar com uma pessoa, ela fez um sarcasmo quando diante de uma preocupação eu disse que Deus providencia tudo para seus filhos. A referida senhorita disse-me ironicamente: “mas é claro, Ele está vendo tudo !” e apontou o dedo para o alto. Senti em sua fala aquela crítica advinda de uma visão de Deus representada pela imagem do olho que tudo vê, como Aquele que tudo enxerga para condenar e castigar as suas criaturas caso desviem do caminho correto. Pensei em como aquela mulher tinha uma visão equivocada de Deus, talvez, não por culpa dela, mas pelo modo como aprendeu a olhar para Aquele que a criou.             Alguém pode me indagar se concordo com a imagem de Deus que tudo vê a qual remete a onisciência e onipresença divina. Digo que concordo plenamente. Sim,...

Perdão, Pessoa

Peço perdão, ó grande Fernando Pessoa, Mas não consigo concordar Inquieto a pensar Depois de muito refletir Pela fé que possuo posso proferir: Vale a pena? Não, nem tudo vale a pena se a alma não é pequena. Emanuel Tadeu

Um coração cansado de esperar

Um coração cansado de esperar E decidido a perseverar Alegra-se ao encontrar um semelhante para partilhar Afinal, fomos feitos mesmo para amar. E nas voltas da vida iremos nos encontrar. E então, a alegria brotará da sua escolha em esperar. Durante este período O orgulho insiste em nos visitar Trazendo a ideia de que já sei o suficiente e estou pronta para lhe encontrar As lágrimas escorrem por não sabermos lidar Com a angústia e a pressa do que o amanhã trará E assim passam anos, séculos, nos quais encontramos pessoas para nos ajudar A perseverar e crer que o amanhã logo virá. Adriana da Silva Ribeiro

Tríade poética sobre a Morte

(Imagem: Arquivo pessoal) Arcanos da Morte Desinquieta criatura Caminha sem um ritmo Vaga no mundo Anda sem destino. Ó Morte, onde estás? Por onde andas? Qual o próximo lugar? Onde vais pernoitar? Por que nos leva sem avisar? Qual motivo de tal crueldade? Estava há pouco ali Agora não mais sorri. Não és tua a culpa Mas tão somente nossa Pois não sabemos conviver Choramos amigos Os quais não tivemos tempo de rever. Abraços não dados Sorrisos não correspondidos Perdão não consentido Coração arrependido. Perdoa nossa dureza Que nos encontre preparados Leva-nos a Deus Alegria de Filhos amados. Ó Morte, nossa irmã Não assustas tanto Quem vive de acordo Com o saber santo. Descansa em paz! No suave adormecer Espero, um dia, tua visita Descalço em meu ser. Memento mori  A morte mora ao lado É uma vizinha Mora na casa ...

Conversão

Coloquei-me no caminho Comecei a caminhar Aos poucos, mudo a direção Embrenho em outros desvios Às vezes conscientes Outras vezes nem tanto. De repente, percebo que tomei rumo equivocado Posso continuar Mas resolvo voltar ao caminho certo Passo por cima de meu orgulho Embora muitas vezes isso me incomode Retorno Encontro novamente a estrada correta Volto a caminhar. Se vou desviar de novo? Talvez sim, talvez não Mas nunca vou desistir de trilhar tal rumo Se errar? Peço perdão Retorno ao caminho E agora estou na direção certa de novo. Emanuel Tadeu

Louvor Ascendente

             Tomando o café de todo dia pela manhã deparei com o pão. Ele não nasceu ali, veio da padaria e foi pago com meu suor. Bendito o meu trabalho!             Mas o pão não nasceu na prateleira, ele foi modelado pelo padeiro que acordou antes do sol e o deu forma. Benditas as mãos que formam os alimentos!             Meu olhar foi mais além, os elementos daquele pão em minhas mãos vieram de mais longe, o trigo que se fez farinha não foi triturado ali, mas trazido de algum lugar. Bendito quem transportou, quem triturou, quem fez do trigo farinha! Que grande ideia.             Já terminando de comer o pão, pensei nas mãos que, de alguma forma, plantaram aquele trigo, no suor do rosto e no sorriso de ver as sementes crescendo e prosperando, nos filhos felizes com a alegria dos pais. Benditos os agricultores, benditas as mãos que colocaram as sementes ...

Suicídio

Maria se matou Mas não morreu sozinha Matou junto sua mãe de tristeza Matou seu pai de dor Matou seus irmãos de saudade Matou seu namorado de angústia Matou sua descendência de existir Matou seu patrão de desgosto Matou seu cachorro de solidão Matou suas plantas desidratadas Matou sua casa com o vazio Matou a comunidade com sua ausência Privou a cidade de uma cidadã Mutilou o país de um habitante Pôs fim à canção Maria não se matou sozinha Matando-se, matou a todos. Emanuel Tadeu #setembroamarelo #vida #viver #sentido #prevenção #poesiar #utopiadoviver