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Louvor Ascendente

             Tomando o café de todo dia pela manhã deparei com o pão. Ele não nasceu ali, veio da padaria e foi pago com meu suor. Bendito o meu trabalho!             Mas o pão não nasceu na prateleira, ele foi modelado pelo padeiro que acordou antes do sol e o deu forma. Benditas as mãos que formam os alimentos!             Meu olhar foi mais além, os elementos daquele pão em minhas mãos vieram de mais longe, o trigo que se fez farinha não foi triturado ali, mas trazido de algum lugar. Bendito quem transportou, quem triturou, quem fez do trigo farinha! Que grande ideia.             Já terminando de comer o pão, pensei nas mãos que, de alguma forma, plantaram aquele trigo, no suor do rosto e no sorriso de ver as sementes crescendo e prosperando, nos filhos felizes com a alegria dos pais. Benditos os agricultores, benditas as mãos que colocaram as sementes ...

Suicídio

Maria se matou Mas não morreu sozinha Matou junto sua mãe de tristeza Matou seu pai de dor Matou seus irmãos de saudade Matou seu namorado de angústia Matou sua descendência de existir Matou seu patrão de desgosto Matou seu cachorro de solidão Matou suas plantas desidratadas Matou sua casa com o vazio Matou a comunidade com sua ausência Privou a cidade de uma cidadã Mutilou o país de um habitante Pôs fim à canção Maria não se matou sozinha Matando-se, matou a todos. Emanuel Tadeu #setembroamarelo #vida #viver #sentido #prevenção #poesiar #utopiadoviver

Laudato Si

E aí? Você... Ou cuida ou morre! Ou preserva ou morre! Ou muda ou morre! Ou converte ou morre! Ou ri ou chora e morre! A natureza precisa de nós Pois, no fundo, somos nós que precisamos dela. Cuide, preserve, mude, converta e sorria... viva! Nos gestos pequenos e diários de zelo Dentro de casa, na rua, no trabalho, no campo... Somos responsáveis pela Vida do mundo e de todo mundo. Cuide do outro, de si, da natureza, do Planeta... Não mate, mas viva e faça o outro viver Ou, pelo menos, ter a chance disso. Depende de nós todos! Emanuel Tadeu

Rede de São Pedro

Lançou a rede Voltou cheia Lançou a rede Voltou vazia... Lançou a rede E voltou... Voltou nas comunidades Voltou nos leigos engajados Voltou nos sacerdotes fiéis Voltou nas Celebrações Voltou nas lutas diárias Voltou na conversão pessoal e social Voltou nos desafios Voltou nos afastados Voltou no cansaço. Lançou a rede No Rio Piranga Sob calor pontenovense Na sombra das palmeiras. Lançou a rede Recolheu os frutos No barco petrino Nas chaves do Céu e da Terra O Reino se desvela. Lançou a rede Usou varas de pesca mineiras Uma torre similar a um farol Apontando para o verdadeiro sol. Lançou a rede Comunidade de comunidades Igreja viva na Zona da Mata Muitos desafios na missão A fé, esperança e caridade bastam. Bate, sino de Pedro! Acorda a comunidade Desperta o povo sacerdotal De sua missão batismal. Um dia a bar...

Trama do tempo

Sr. Relojoeiro, Por que vive a atrasar seu relógio? Por que vive a voltar as horas? Tem medo do futuro? O que lhe causa espanto? Atraso os ponteiros, ó menino, Para atrasar o tempo Atrasar as horas Para ter impressão De prolongar minha vida. Cada segundo que perco Sou deixado para trás O caminhar dos ponteiros A areia da ampulheta Que escorrendo não volta A pedra lançada no lago Que após quicar afunda. Meu relógio deveria ser mais lento Mas ele não me obedece Eu suplico, mas não me escuta. Oxalá quando ele parar Eu esteja preparado Para tirá-lo do pulso Colocá-lo no chão   E seguir o caminho. Emanuel Tadeu #TramadoTempo #Relógio #Vida #Poesiar

Corpus Christi

Eis o dia que toca os corações Algo diferente surge em nossas vias; Ruas e janelas enfeitadas, flores desfolhadas Tapetes e festa preenchem-nos de eternidade Entre o Tantum ergo e nuvens de incenso Surge Aquele que é o Pão do céu Genuflexos os homens de corpo e alma Adoram o Rei e Pastor sob o véu. Ao som das campainhas e dos sinos Vozes se unem em coro Graças e louvores sejam dados Ao amor dos amores Mistério tão profundo contemplamos O pão e o vinho ofertados Em Corpo e Sangue do Senhor se tornaram Sinal do amor do Pai, com fervor adoramos Dá-nos ó Jesus, nosso Santíssimo Sacramento, Crermos e adorarmos em teu amor permanente nesta terra seja nosso perene alimento e ao céu nos guie, Pão dos caminhantes . Lucas Muniz - Seminarista 

Oratório

(Imagem da internet) Queima a vela no castiçal Umbral do céu Uma imagem barroca De mãos postas em oração Uma rosa do quintal Repousa no vaso solitário A senhora ajoelhada Lágrimas correm-lhe pela face A vela vai se consumindo Consome-se a oração As mãos postas clamam O coração vai se confortando O vento sopra na vidraça O assoalho range Os peões trabalhando Os pássaros cantando O vento brincando As crianças correndo O Criador olhando a criatura Neste oratório, Cabe tanta existência Relicário de histórias Um dia abriu-se as portas No outro, fecha E no silêncio dorme. Emanuel Tadeu #Oratório #Fé #Existencial #Poesiar #UtopiadoViver