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O Conto da Assunção

 

(Imagem: arquivo pessoal)

    Das flores do jardim, uma delas foi escolhida para uma missão: refazer o jardim que parecia perder seu sentido de existir. O jardineiro teve cuidado. Observou cada plantinha. Após atenta averiguação, escolheu uma bela flor e a cultivou com zelo para seu intento. 

    Ao saber de tais planos, a flor não se envaideceu e colocou-se pronta para colaborar na tarefa de jardinagem. Foi retirada do pé, plantada em outro lugar. Sentiu o peso de sair da planta-mãe. Podas doem muito, mas isso não a impediu de cumprir sua missão. Produziu mudas, muitas mudas. Fez o jardim ser renovado. Não foi fácil para ela. Pensou muitas vezes em como seria sua vida se fosse igual às demais flores do jardim, mas nem por isso desanimou da missão. Sabia que era por um ideal bem maior do que seu carpelo. Seu sim trouxe vida ao jardim, alegria às borboletas, pólen para as abelhas, aroma ao vento, cores para as crianças, calma para as almas amantes de jardim e sorrisos para o jardineiro. Ah! Como ele sorriu! 

    No fim de sua vida, o jardineiro não poderia deixá-la decompor naquele jardim. Desejava algo a mais para a sua fiel colaboradora. Recolheu-a com cuidado e a levou para um outro jardim. Um lugar especial. Um belo jardim! Lá ela foi introduzida com alegria. Foi plantada e continuou a encantar por sua beleza e espalhar seu aroma no ar, no jardim celestial.

Emanuel Tadeu


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