Pular para o conteúdo principal

EPITÁFIO DE UMA VOCAÇÃO




Deixarei por escrito uma mensagem para que coloquem em meu túmulo, porque sinto que já não tenho muito tempo de vida, acaba de acontecer um acidente comigo, não sei se resistirei aos ferimentos. Não para que sintam saudade de mim, mas para que não aconteça com outras, o que aconteceu comigo.

Meu nome é vocação, nasci da Palavra “segue-me” de “Jesus” para o “homem”. Era no início do século XXI e o lugar de onde eu vim chama-se “Coração de Deus. Fui num avião chamado “Oração” para ir morar numa casa chamada ”coração” da qual o “homem” era dono. No princípio de minha vida tudo estava indo relativamente bem, por mais que eu pegava uns resfriados chamados “dúvidas” eu sempre recuperava a saúde depois de tomar um remédio chamado “escuta de Deus” dado pelo “homem”. Passados alguns anos, a casa que estava morando entrou em reFormação por uma empreiteira chamada “seminário”, que era comandada pelo “Espírito de Jesus”. Mas algo começou a dar errado na reFormação da casa. Acontece que havia no alicerce da casa uma rachadura que se chamava “pecado” e que a reFormação não concertou porque não sabia de sua existência, devido o “homem” não falar pensando que aquele “pecado” era insignificante. O “pecado” poderia até ser evitado ou consertado pelo cimento chamado “arrependimento”, mas o “homem” não quis, pois estava preocupado só em construir a janela chamada ”estudo”, pela qual entrava a luz chamada “conhecimento”.

Pois bem, como todos poderiam prever, veio um forte vento contra aquela casa que eu estava morando. O “homem” entrou em desespero, mas já era tarde demais, a casa ruiu, e o pior, eu estava dentro dela. Fui levada em estado grave para o melhor médico da região, chamado “orientador espiritual”.

Noite passada tive um sonhoque me motivou escrever esse Epitáfio, porque parecia ser real. Foi mais ou menos assim: eu havia morrido e voltado para “Homem” do qual sai. Ele me perguntou se eu havia trazido algum fruto dessa viagem, disse a ele que não havia trazido. Ele olhou para o chão com um olhar triste, percebi que havia lágrimas escorrendo dos seus olhos, então ele me disse: acaba de chegar outro avião lá fora, vou mandar você para outra casa, quem sabe volte com frutos, pois a casa onde você morava foi destruída e já não pode mais  ser habitada por você.

Ass.: VOCAÇÃO.

Filipe Egg de Resende

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ressussignificação

  (Imagem da internet) Maria Madalena viu o sepulcro vazio. Concluiu: - roubaram o corpo de Jesus. O discípulo amado viu o sepulcro vazio. Concluiu: - Ele ressuscitou! A mesma situação. Diferentes perspectivas. Dai-me, Senhor, a graça da ressussignificação ! #ressussignificação #ressurreição #ressignificação #neologismo #viver #utopiadoviver

Ralo Invertido

  (Imagens: Arquivo do autor) Ali estava aquele ralo invertido na pia fazendo bem seu papel de ser ralo, porém, invertido. Originalmente foi colocado na posição correta (Ou convencionada assim), mas alguém - diga-se de passagem um criativo brasileiro - o inverteu para escoar mais rápido e continuar cumprindo sua função naquela pia da copa do trabalho. Se na posição correta não cumpriu seu papel, agora o estava fazendo bem melhor.  Na vida é assim também, às vezes algo foi feito para uma dada utilidade, mas por acaso, ideia de alguém ou um erro, fica bem melhor de outra forma. Assim foi, segundo a história, um erro de cálculo que fez Colombo descobrir a América… Um esquecimento que fez um bacteriologista descobrir a Penicilina… A descoberta do marca-passo… Um xarope para dor de cabeça que virou a Coca-Cola… Então, as experiências do erro também são importantes como a dos acertos e nada é necessariamente em vão, descartável! Saibamos admitir e enxergar isso na nossa vida. Se não...

Escutatória

(Imagem: do autor)  Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de ideias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de ideias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o ...